Crer de antemão


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Examinando recentemente uma pilha de velhos números da revista Time, surpreendeu-me ver como o mundo parece diferente agora numa comparação ao que ele era trinta anos atrás. Lá naqueles tempos, a Time publicava reportagens de capa sobre “A Chegada da Idade do Gelo”; hoje, ouve-se falar no aquecimento global. Os mapas do mundo mostravam uma grande mancha vermelha se espalhando pela Indochina e pela África. Os economistas previam o fim do domínio americano e uma nova paridade entre os Estados Unidos, a Rússia, a China, o Japão e a Europa.

Numa edição mais recente da revista, de agosto de 2001, procurei em vão as palavras Al-Qaeda e Osama Bin Laden. Por alguma razão, os futurólogos deixaram de captar os acontecimentos definidores da fase da minha vida, inclusive a guerra contra o terrorismo e o fim da Guerra Fria.

Refletindo sobre o nosso pobre recorde em predizer o futuro, ocorreu-me que a Bíblia muitas vezes enfoca o ato da espera. Abraão esperando pelo único filho. Os israelitas esperando durante séculos a libertação do Egito. Davi esperando em cavernas a coroação que lhe fora prometida. Os profetas esperando o cumprimento de suas estranhas previsões. Os discípulos esperando com impaciência que Jesus agisse como o poderoso Messias ansiosamente aguardado por eles.

As últimas palavras de Jesus no fim do Apocalipse são “Sim, venho em breve”, seguidas por uma urgente, ecoante oração: “Amém. Vem, Senhor Jesus!”. Essa oração ainda não foi respondida.

Num campo de concentração alemão durante a Segunda Guerra Mundial, iludindo a vigilância dos guardas, os americanos fizeram um rádio caseiro. Um dia chegou a notícia de que o alto comando alemão se havia entregado, pondo fim à guerra, fato que, devido a uma falha nas comunicações, os guardas alemães ainda não conheciam. À medida que a notícia se espalhou, irrompeu uma ruidosa celebração.
Durante três dias, os prisoneiros eram quase irreconhecíveis. Cantavam, acenavam aos guardas, sorriam para os cães pastores-alemães e contavam piadas durante as refeições. No quarto dia, acordaram e descobriram que os alemães haviam fugido, deixando as portas destravadas. O tempo de espera chegara ao fim.

Aqui está uma pergunta que me faço: Quando nós, cristãos, enfrentamos crises contemporâneas, por que reagimos com tanto medo e ansiedade? Que é a fé, no fim das contas, se não for crer de antemão naquilo que só fara sentido de um ponto de vista retrospectivo?

Phillip Yancey em seu devocional “Sinais da Graça” no dia 3 de julho.



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Pedro Wanderley
Publicado por Pedro Wanderley

O Médico que acredita em curas mais profundas do que a Ciência pode trazer. O cético vacilante em busca da fonte que nunca secará.